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Tecnologia e setor público: como anda essa dupla?

Publicado em: 10/01/2019

Por Matheus Henrique Batisteti*

Quando pensamos em tecnologia, surgem em nossa mente cenários homéricos, com grandes avanços e descobertas que mudaram a maneira de se relacionar com o mundo. A cada dia, novidades permeiam os canais de notícias com informações sobre inteligência artificial, big data e machine learning, provando que a evolução é contínua – e, quem sabe, infinita. Empresas correm para se adequar a essas alterações, que ditam como iremos nos relacionar com o mundo e com as demais pessoas – embora essa seja uma definição já presente em nossa rotina, podendo ser observada desde uma máquina automática de café até nos servidores de processamento de dados. Entretanto, o setor público ainda sofre para conseguir se nivelar a essas necessidades.

A morosidade do processo licitatório para a aquisição de bens e contratação de serviços impacta diretamente no que a administração pública pode oferecer e no que os cidadãos têm acesso. Diversas vezes, quando o processo é finalizado, o alicerce tecnológico já se encontra defasado, causando prejuízo aos cofres públicos e seus contribuintes. Além disso, principalmente quando se pensa no desenvolvimento de softwares, a qualidade pode impactar no resultado: apesar de não haver uma medição para auferir o quão bom um código é, a maneira como ele é construído influencia diretamente em atualizações futuras, integração com outros sistemas e velocidade de desempenho da aplicação.

Lógico que há diversos exemplos de sucesso do uso da tecnologia pela gestão pública, com a oferta de soluções que facilitam a vida do cidadão e que conseguem seguir a mesma velocidade da demandada pelo mercado. As aplicações mobile têm se destacado nesse cenário, abrindo possibilidades de disponibilização dos mais variados serviços em qualquer lugar, a qualquer hora. Alguns exemplos de sucesso são o app Menor Preço, que permite a comparação de preços de produtos com base nas notas fiscais emitidas em determinada região do Paraná. No Estado também se destaca o Saúde Já, que faz o agendamento remoto da primeira consulta nas unidades de saúde em Curitiba.

Outro exemplo que tem dado certo é a parceria com organizações sociais, que possibilita mais celeridade para atender às demandas da população. Realizada por meio de contrato de gestão, o serviço é agilizado e leva em consideração as boas práticas de mercado. Se isso funciona? Basta pegar o exemplo de Curitiba, considerada a cidade mais inteligente do Brasil pelo ranking da Connected Smart Cities: desde 1998, a capital paranaense centraliza o desenvolvimento e gestão de sistemas com o Instituto das Cidades Inteligentes. Durante esse tempo, diversas soluções foram disponibilizadas para o cidadão, que vão desde o registro de uma solicitação pela central de atendimento até o acesso à internet nas escolas.

Ainda há muito espaço para que a tecnologia modernize mais o Brasil, oferecendo cidades cada vez mais conectadas, inteligentes e bem administradas. A partir do momento que a busca pela vanguarda seja prioridade e que o cidadão seja tratado com a mesmo cuidado que uma empresa teria com seus melhores clientes, a evolução será contínua – e o dia a dia das pessoas, facilitado.

*Matheus Henrique Batisteti é supervisor de Ambiente Informatizado. Bacharel em Sistemas de Informação, é pós-graduado em Redes e Segurança de Sistemas e está cursando MBA em Gestão de Projetos. Atua no ICI desde 2006.